1975
Ronnie Peterson, UOP Shadow Racing Team
Shadow DN3B, Ford Cosworth DFV 3.0 V8, Goodyear
IV Grande Prêmio do Brasil, Interlagos, São Paulo

Ronnie Peterson, UOP Shadow Racing Team
Shadow DN3B, Ford Cosworth DFV 3.0 V8, Goodyear
IV Grande Prêmio do Brasil, Interlagos, São Paulo
Depois de muito tempo sem fazer uma matéria exclusiva aqui para o F1 Nostalgia, a disponibilidade de tempo premia vocês com um fato que alguns de vocês devem lembrar. Trata-se da possível ida de Ronnie Peterson para a Shadow no início de 1975. Acompanhem.
Para a temporada de 1975, a Lotus mantinha a mesma dupla de pilotos do ano passado (Ickx e Peterson), mas mantinha também, pelo 5º ano consecutivo o mesmo carro, a gloriosa, mas ultrapassada, Lotus 72 (na especificação 'E'). Falar que a dupla de pilotos do time estava desmotivada e sem nenhuma esperança para com o futuro, é desnecessário não é?
Pois bem, na 1ª etapa, disputada no Autódromo municipal de Buenos Aires, a Lotus amarga já uma frustração. Peterson consegue colocar seu carro na 11ª posição no grid, já Ickx, conteve-se com um magro 18º lugar. Na corrida, o sueco sofreu uma perda de combustível e teve que abandonar e Ickx chegou numa 8ª colocação sem brigar com ninguém, e na base dos abandonos. Pouco para o time Lotus
Chegando o GP Brasil, uma certa confusão da Goodyear movimentou ainda mais o GP. Ela trouxe para Interlagos um composto na qual ela julgou ideal, e um mais duro para aguentar bem a pista ondulada e abrasiva de São Paulo. Os treinos foram liberados uma semana antes do GP, e para muitos, só complicou a decisão de quais pneus escolher.
No box da Lotus, a tristeza dos mecânicos era visível e um desanimado Peterson esta mais preocupado em sair daquela equipe e respirar novos ares. A Shadow era a grande menina dos olhos de Peterson, e o sueco flertava forte com a equipe de Don Nichols.
O DN5, o carro de Jarier, se mostrava um dos melhores do grid, vide que JPJ conquistou a pole na corrida da Argentina (Mas não largou devido a uma quebra da coroa e do pinhão antes da largada) e viria a conquistar a do GP Brasil.
Os boatos cresciam cada vez mais que uma troca de assentos entre os carros negros iria acontecer: Pryce na Lotus e Peterson na Shadow. Tanto que, na 4ª feira pré GP, Peterson ficou quase uma hora no box da Shadow, bem em frente, nenhuma barreira o cobria, e ele ficou lá, moldando as medidas do cockpit e da pedaleira. A transação entre eles, se fosse somente por vontade de Nichols e Peterson, já havia sido concluída a muito tempo.
Só que tinha um porém, e um porém dos mais importantes, era o aval de Colin Chapman. Colin não se encontrava em Interlagos, e ficou a cargo de Peter Warr se debater com a imprensa para a revelação de algo, mas ele só esquivava. Uma reunião entre Chapman e Nichols era enormente esperada, mas tal fato não aconteceu.
Somente um telefonema partindo de Chapman revelou que, não viria ao Brasil para acompanhar a corrida e o mais importante, não liberava Ronnie Peterson para correr na Shadow. Bastou isso para Nichols se trancar nos boxes da Shadow e Peterson e a Lotus se abaterem ainda mais.
Quem não gostava nada do assunto era Jarier. Ele queria mostrar serviço, e queria provar para o time que não precisava de Peterson para vencer. Jumper Jarier fez a pole e liderou muitas e muitas voltas antes de um problema na bomba de combustível ceifar sua vitória, que caiu nas mãos de Pace.
Peterson ficou na Lotus até o final do ano, e Chapman lhe iludia dizendo que o time teria um carro vencedor para 76, mas a Lotus 77 não era nada disso, e já na segunda corrida do ano ele saltou para fora do barco e foi parar na March.
